Sexta-feira, Setembro 22, 2006

 

O modelo Open Archives: como funciona?

O modelo Open Archives é um conjunto de padrões, protocolos e ideais para o estabelecimento de interoperabilidade entre dois ou mais repositórios digitais.

Um dos padrões estabelecido nesse modelo é o OAI-PMH - Open Archives Initiative Protocol for Metadata Harvesting. Trata-se de um protocolo para realizar a coleta de metadados dos registros de um repositório. Esse protocolo realiza a coleta de metadados com base no padrão de metadados Dublin Core sem qualificadores. No entanto, é possível adaptar esse protocolo a outros padrões de metadados.

Nesse contexto, observa-se a existência de dois atores: 1) aquele repositório que expõe os seus metadados para que sejam coletados por outro repositório; 2) aquele que faz a coleta dos metadados em um outro repositório. Esses dois atores são denominados, respectivamente de Provedor de Dados (Data Provider) e Provedor de Serviço (Service Provider).

O Provedor de Dados é aquele que hospeda um repositório para que os seus usuários depositem os seus documentos. O Provedor de Serviço é aquele que faz a coleta de metadados em um ou mais repositórios e fornece serviços de informação com valor agregado, por meio dos metadados coletados.

Uma outra característica do modelo Open Archives é o auto-depósito ou auto-arquivamento. Significa dizer que são os próprios autores quem faz o registro dos metadados e upload do documento em texto-integral. Em princípio, alimentação é realidada diretamente pelo autor, não necessitando de um terceiro para realizar essa tarefa. Óbviamente que se pode definir uma política de alimentação do repositório em que um técnico de informação realiza a alimentação do repositório. Portanto, trata-se de uma flexibilidade e de mudança na forma tradicional de alimentação de uma base de dados ou biblioteca digital.

O esquema funcional do modelo Open Archives é mostrado nno esquema abaixo.



 

O modelo Open Archives: para que serve?

O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) adotou esse modelo como referência para todos os seus projetos de criação de bibliotecas e repositórios digitais. Assim a Biblitoeca Digital de Teses e Dissertações (BDTD) foi implantada utilizando esse modelo, e da mesma forma, o Instituto vem transferindo diversos pacotes de software para a construção de repositórios institucionais, temáticos, além de publicações científicas eletrônicas, os quais utilizam esse mesmo modelo. Por que a adoção desse modelo?

Antes de mais nada, Open Archives é um modelo de interoperabilidade. Portanto, é um modelo constituído de um conjunto de padrões e ideais que visa facilitar o acesso à informação e principalmente a interoperação entre um repositório digital e outro. Ou seja, o uso dos padrões definidos nesse modelo permite que se integre um ou mais repositórios, facilitando ao usuário, o acesso às informações constantes nesses repositórios.

Que facilidades esse modelo proporciona? Talvez a melhor forma de responder a esta pergunta seja por meio de um exemplo. Se um usuário estiver procurando por alguma tese ou dissertação que trate do tema "ESTRUTURA DA PROTEINA ALBUMINA 2S DA CASTANHA-DO-BRASIL" e não existisse a BDTD ou qualquer outro repositório integrando todas as teses brasileiras, esse usuário teria que buscar esta informação em cada uma das universidades brasileiras.

Com o uso da BDTD o usuário terá acesso a todas as teses e dissertações defendidas nas universidades integradas à BDTD. Se o usuário quiser mais ainda, se ele estiver interessado não apenas em teses e dissertações, como fazer? Nesse caso, o Ibict oferece um serviço de busca por meio do portal Oasis.Br, o qual também utilizando o modelo Open Archives, permite ao usuário o acesso integrando tanto a teses e dissertações, quanto a papers publicados em repositórios institucionais e temáticos, além de publicações científicas eletrônicas.

 

O modelo Open Archives

O modelo Open Archives teve seu marco durante a reunião Santa Fe Convention, na qual foram estabelecidos os padrões e protocolos para a interoperação entre dois ou mais repositórios. A partir desta convenção foi criada a Open Archives Initiative. Maiores esclarecimentos poderão ser obtidos no artigo The Santa Fe Convention of the Open Archives Initiative .

O estabelecimento desse modelo pode ser considerado um marco na história das bibliotecas digitais, pois a partir desse modelo diversos pacotes de software foram desenvolvidos para a construção de repositórios e publicações eletrônica. Esse modelo constitui, portanto, a base para a consolidação do movimento do acesso livre à informação científica.

Quinta-feira, Setembro 21, 2006

 

Análise da notícia 2: Comparação entre BDTD e Portal Domínio Público

Apesar da taxa de creescimento da BDTD ser superior à do Portal Domínio Público, no que se refere a teses e dissertações (t&d), ela poderia ser ainda maior, uma vez que, analisando no dia a dia, muitas Instituições de Ensinos Superior (IES) integradas à BDTD não alimentam regularmente as t&d nelas defendidas.

Um exemplo dessa falta de regularidade é o caso da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a qual vem mantendo apenas 14 registros, desde a implantação da sua BDTD local, há mais de seis meses. Nesta IES, certamente, muito mais t&d são defendidas mensalmente.

Seria falta de infra-estrutura tecnológica? Seria falta de pessoal técnico? Ou poderia ser alguma descontinuidade administrativa? Não se sabe ao certo.

A metodologia desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) oferece duas modalidades de alimentação: 1) por auto-depósito, ou seja, o próprio autor registra a sua tese ou dissertação (t/d) e fazem o seu upload, com uma pequena participação de funcionários do programa d pós-graduação e da biblioteca; 2) pelos técnicos das bibliotecas das IES, os quais obtêm autorização dos autores das t&d e registram os metadados, fazendo os uploads dos textos integrais das t&d.

A primeira modalidade segue um dos princípios do modelo Open Archives, que é o auto-arquivamento. Essa facilidade diminui os custos de manutenção de um repositório, uma vez que ela dispensa o suporte de uma equipe treinada em proceder a alimentação das t&d nos repositórios. Verificou-se, no início da implantação da BDTD, que essa facilidade estava dificultando a adesão das IES à BDTD. O Ibict, com o propósito de acelerar a implantação da BDTD em todas as IES mantenedoras de programas de pós-graduação, desenvolver uma segunda modalidade de alimentação, mais aderente à forma tradicional de trabalho das bibliotecas brasileiras, que é a alimentação realizada pelos técnicos das bibliotecas. Ou seja, uma alimentação centralizada na biblioteca. Curiosamente, a implantação das BDTDs locais teve maior aceitação por parte da IES.

No entanto, essa melhor aceitação se mostra hoje como um fato aparente, visto que as IES se integram à BDTD. mas não a alimentam regularmente, muito provavelmente, por falta de quadros técnicos capazes de alimentarem a BDTD regularmente. Verifica-se, na BDTD Nacional, que, além da UFMG, várias outras IES estão com um baixíssimo númerto t&d.

O auto-depósito é uma facilidade que deveria ser utilizada pelas IES, pois, ele não depende de um quadro de pessoal técnico, é o próprio autor quem faz o registro e o upload da t/d. Apesar da independência de técnicos para alimentar os registros, esta modalidade promove a implantação de um novo paradigma para a manutenção dos repositórios de t&d, independente das bibliotecas e dos técnicos de informação. Portanto, mais econômico.

Cabe, assim, ao Ibict, analisar o problema e buscar uma solução junto a essas IES que aparentemente estão integradas à BDTD.

 

Análise da notícia 1: Comparação BDTD x Portal Domínio Público

O crescimento da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), nos últimos 15 dias, foi de 1027 teses e dissertações (t&d). O Portal Domínio Público apresentou um crescimento de 654 t&d nesses mesmos 15 dias.

Fazendo-se uma simples operação de multiplicação, é fácil verificar que o Portal Domínio Público registraria um total de 18.980 t&d por ano. Enquanto que a BDTD, pela taxa de crescimento observada, chegaria ao total de 29.640 t&d registradas.

Portanto, a metodologia da BDTD não parece ser tão lenta quanto se chegou a pensar. Deve-se, levar em conta que a BDTD implantou a sua metodologia apenas em cerca de 20 % das Institutições de Ensino Superior (IES) mantenedoras de programas de pós-graduação.

É bom verificar que a soma das duas taxas de crescimento proporcionaria uma totalização de 48.620 t&d registradas no ano. Segundo a Coodernação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Brasil produz, hoje, cerca de 50.000 t&d por ano. Verifica-se, portanto, que a unidade de esforços poderia rapidamente atingir a meta que é o registro e a disseminação do total da produção brasileira de t&d.

Quarta-feira, Setembro 20, 2006

 

Comparação de crescimento da BDTD e do Portal Domínio Público (teses e dissertações)

Nos últimos 15 dias acompanhei pessoalmente a taxa de crescimento da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações e o acervo de teses e dissertações do Portal Dominio Público. Constatei que a BDTD cresce a uma taxa média diária de 114 teses e dissertações; enquanto que o acervo de teses e dissertações do Portal Domínio Público cresce a uma taxa média diária de 73 teses e dissertações.

Domingo, Setembro 17, 2006

 

Repositório das Pesquisas Brasileiras

Continuando a caminhada em direção ao acesso livre no Brasil, o autor desse Blog, Hélio Kuramoto, acompanhando o diretor do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, estiveram na última quinta-feira, visitando o vice-presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPq, quanto fizeram a proposta de criação do Repositório das Pesquisas Brasileiras.

Essa proposta será encaminhada a todas as agências de fomento brasileiras, as quais terão o papel de sensibilizar os pesquisadores, cujas pesquisas forem por elas financiadas a depositarem os resultados de suas pesquuisas nesse repositório.

A proposta teve excelente receptividade por parte do vice-presidente do CNPq, Prof. Dr. Lauro Morhy. A partir da próxima semana, 25 de setembro de 2006, os técnicos do Ibict estarão trabalhando em conjunto com os técnicos do CNPq com o propósito de implantarem esse repositório.

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